A perspectiva, juntamente com a tinta a óleo, é a grande novidade do Renascimento. Com a perspectiva, os artista conferem mais realidade as suas pinturas e desenhos. Anteriormente, as figuras eram estilizadas e esquemáticas. Faltava movimento; a cenaa parecia estática. A perspectiva lança um novo olhar sobre a realidade, Volume e profundidade são agregados como novos elementos à arte. O trato dispensado para com as cores e com a luz contribuem ao desenvolvimento desses novos elementos artísticos. A tinta a óleo, devido a sua demora em secar, privilegia os retoques até que se alcanse o efeito desejado.
O recurso da perspectiva existe em sua tridimensionalidade - largura, comprimento e profundidade. Sua descoberta revolucionou a maneira de pintar e enxergar um quadro. Diferente do Barroco, quando a luz é que direcionava o olhar do observador, no Renascimento, a linha perspectiva é que vai conduzir a observaçãoa. Essa perspectiva tem um embasamento em ciências exatas como a matemática e a geometria. É a perspectiva uma forma de pensar o espaço e reogarnizar o pensamento. Ao orientar o espaço segundo os traços da perspectiva, o artista apontava uma nova forma de pensar a realidade. Prova disso é a dificuldade do artista medieval em retratar cenas de interior. Geralmente, a cena era concebida à frente do espaçoa arquitetônico - nunca interno a ele. Os personagens pareciam colados à parede (fundo). Não esqueçamos que o pensamento medieval era "teocêntrico radical"a, baseado numa concepção de um Deus castigador. Já a perspectiva renascentista observava o pensamento humanista, que concebia o homem como medida da vida. Assim, o questionamento leva o homem por novos caminhos, ao mesmo tempo que o empurra para o abismo. Foi justamente esse pensamento humanista que direcionou o homem em suas novas descobertas.
A instituição da perspectiva como recurso gráfico de representação artística pode ser entendida como uma metáfora do infinito. As linhas que orientam a visão rumo ao fundo da imagem dão profundidade aos sonhos humanos. Pena que com isso o homem, envaidecido, mergulhou fundo em seus devaneios. A perspectiva humanista ofuscou a perspectiva de um futuro que valesse a pena.

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